Jaime Silva diz que "nunca chegou tanto dinheiro à agricultura"

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Parlamento. Ministro sob 'fogo cerrado' da oposição

Jaime Silva diz que "nunca chegou tanto dinheiro à agricultura"

Paulo Portas deu o tom logo a abrir o debate: "Não há memória de um ministro da Agricultura tão incompetente." Palavras duras a que o ministro foi respondendo com números - Jaime Silva sustenta que "nunca, em tempo algum, chegou tanto dinheiro à agricultura portuguesa". Cerca de 1500 milhões de euros em 2008, especificou o titular da pasta.

O entendimento da oposição é bem diferente. Num debate parlamentar de urgência pedido pelo CDS, o líder centrista, Paulo Portas, acusou Jaime Silva de ser um "desperdiçador-mor", perdendo por "incompetência pura e dura" de fundos comunitários de apoio à agricultura. Uma acusação rejeitada pelo ministro, que apontou "um investimento total de 2100 milhões de euros" no âmbito do Proder (Programa de Desenvolvimento Rural), dos quais "978 milhões já estão comprometidos e 431 milhões já estão pagos".

Citando a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Paulo Portas lembrou as palavras de Cavaco Silva - que então afirmou que os agricultores portugueses "se sentem penalizados por não beneficiarem da totalidade dos apoios disponibilizados pela União Europeia" -, para questionar Jaime Silva. "Está a sugerir que o Presidente da República está mal informado ou que está a fazer uma campanha contra si?". O titular da Agricultura devolveu a crítica no mesmo tom: "Os portugueses olham para si e lembram-se do que disse sobre o cidadão, sobre o professor e sobre o primeiro-ministro e actual Presidente da República".

A restante oposição não diferiu em muito na apreciação do mandato de Jaime Silva. "O balanço não podia ser pior", criticou o social-democrata Carlos Poço. Já o comunista Agostinho Lopes acusou o responsável pela Agricultura de ter "desmantelado" o Ministério. Em resposta a uma pergunta também da bancada do PCP, Jaime Silva anunciou a criação de uma linha de apoio de cerca de 50 milhões de euros para os jovens agricultores, mediante a assinatura de um contrato para "manterem a produção durante cinco anos".

O ministro admitiu que "é verdade que há dinheiro das ajudas directas não gastas, que o Governo poderia ter usado até 31 de Dezembro." Mas para acrescentar - "O Governo disse claramente aos agricultores: dinheiro para não produzir não vai ser gasto. Vamos pegar naquelas ajudas que a direita aprovou para não produzir e dar para rejuvenescer o tecido empresarial." Uma transferência que a CAP diz ser impossível de concretizar.

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